Venancio
Junior
Todos,
por algum motivo, têm suas celebridades de “estimação”. Estas pessoas muito e
até excessivamente admiradas se destacam nas diversas camadas da sociedade seja
no mundo artístico, esportivo, empresarial e agora também no mundo religioso.
Para estes astros e estrelas isto é muito comum e também necessário e não
conseguem ter uma vida normal por causa do assédio. Mesmo assim eles buscam a
atenção das pessoas, gostam muito e precisam disto diariamente. Do outro lado,
os fãs que são os principais alimentadores da vaidade dos seus ídolos, querem
saber de tudo da vida dos seus idolatrados e, se possível, conviver com eles. A
entrega é tão absurda que estes “apaixonados” fãs perdem o amor próprio
comprometendo a dignidade e o respeito. Quando chega a este nível, muitos
valores são ignorados e até mesmo descartados. No cotidiano da vida comum, onde
não existe celebridade, isto também acontece, por exemplo, na rua e no bairro
no grupo de amigos, na igreja e até mesmo na família, sempre tem alguém que
admiramos e apreciamos e, muitas vezes nos apaixonamos e temos a propensão de
entrega parcial ou total a esta pessoa que veneramos. Acontece também com
estranhos, onde conhecemos alguém que nunca vimos e, de repente, algo chamou a
atenção e, por algum motivo desconhecido, procuramos estar sempre com ele
(a). Não é estranho admirar alguém que esteja fisicamente perto, porém,
longe do nosso mundo? Por outro lado, é raro admirar alguém que também esteja sempre
por perto no círculo de relacionamento que pertença ao mesmo contexto social e
que, talvez, mereça tal valorização. A família, a proximidade é natural. Os
amigos surgem e a proximidade é circunstancial. E a intimidade conjugal entre
pessoas que assumiram compromisso de entrega e dedicação e se tornaram muito
próximas uma da outra, alguém pode me dizer se o seu cônjuge ainda causa
admiração? Afinal, se existe alguém que merece admiração e respeito, este
alguém é aquela pessoa que assumiu o compromisso de cuidar, respeitar, não
medir esforço e exprimir suas emoções em cada comportamento. Não é assim que os
fãs fazem? Diferente dos ídolos, a pessoa da sua intimidade age com dignidade e
respeito? Tem alguns que, além destas qualidades, ainda possuem o tempero
natural do charme e da elegância. Não importa se está velho e se as rugas
começam a se destacar na aparência, este tempero não é um artefato, mas, é
comportamento. Pessoalmente digo que são poucas as pessoas que me despertam a
admiração.
No
mundo atual, a facilidade de exposição da imagem revelou a mediocridade das
pessoas que tentam demonstrar o que na realidade estão longe de ser. Qualidade
não se compra. Pode até ter um personal para cuidar da imagem, mas, o que é
intrínseco no caráter não se consegue com treinamento. Conheço pessoas
aparentemente boas, porém, numa determinada situação em que se é exigido, o
obscuro e o inimaginável são escancarados e o pior da pessoa é exposto sem
limites e que comprometem aquela falsa imagem de boa gente. Cada pessoa é única
e precisa se cuidar para desenvolver o seu naturalmente melhor. Administrar os
impulsos de vingança, inveja, vaidade e tantas outras más qualidades é muito
difícil e exige renúncia em se expor em excesso. O melhor é deixar que
descubram o que você é nas diversas situações que surgem quando as
oportunidades são importantes para revelar o melhor de si despertando a admiração.
No relacionamento a dois, estejam sempre dispostos a servir e ser alguém
positivo na vida um do outro, afinal, este outro é alguém que você deve admirar
pelas suas qualidades. Quando o relacionamento já não desperta a admiração,
mesmo que o outro já não seja alguém que se se admire, nada faça para diminuir
ou prejudicar e mantenha sempre a postura de respeito mútuo.
Já
no caso das celebridades, as qualidades é um algodão doce. Tem até uma
aparência que atrai, porém, não tem conteúdo e o seu doce sabor é instantâneo.
No relacionamento social, o contexto é muito abrangente e a proximidade não é algo, de certa forma, obrigatório. Mas, há um detalhe importante. Neste nível de relacionamento a proximidade acontece se houver algum tipo de atração ou se desperte algum tipo de admiração para que o comportamento seja motivado pela aparente qualidade da pessoa. Permitir que a pessoa faça parte da sua vida é uma decisão pessoal em que razão e coração deverão decidir juntos.
Será
que a aparente sedução vai se enraizar? Será que os valores eram meramente
imaginários? Será que as expectativas foram construídas naquilo que o admirador
esperava do admirado e não naquilo que era na realidade?
De
qualquer forma, sempre devemos ser tardios em reagir. Jamais esperar muito mais
do que a pessoa admirada possa oferecer. Pode acontecer em que a pessoa supere
as expectativas ou fique muita aquém daquilo que se esperava que é o que muitas
vezes acontece.
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